Péssima notícia! Eu não sei porquê não estou conseguindo interagir como antes, as pessoas falam comigo, interagem, eu não consigo esboçar nada, nem resposta nem feição social que acompanhe. Simplesmente não consigo desenvolver uma resposta.
Por que? Por que é tão difícil? Por que não sou normal como as outras pessoas que já nascem sabendo interagir? O que que eu fiz? Por que sou assim tão diferente?
São 3 horas da madrugada, nem chorar direito consigo mais, eu deveria ter morrido na adolescência, a faca e a corda. Mas não fiz, poderia ter me livrado de todo esse fardo, mas não, estou aqui tropeçando em cada passo, afundando em cada piso das calçadas, esbarrando em cada ombro. Não sei quem sou nem o que sou, ou melhor, se sou algo. Não sou nada nem ninguém. Sou um peso morto, apenas, na vida de alguém. Sem razão.
Sou o tipo de pessoa que costuma rir de situações sérias, podem arrancar a minha perna e poderei soltar uma gargalhada monstra (também não é para tanto).
Não sei o que está acontecendo, tenho pegado uma "aversão social", apesar de não ter tido problemas como antes tinha, a fobia social diminuiu. Porém, só de saber que terei que sair de casa, já me causa um pesar horrível nos ombros, é um peso imensurável e que consome também a alma. É como se a gravidade me destroçasse de tão próximo do centro do planeta, quanto mais próximo do centro de grandes objetos do Universo, a pressão é tão grande sobre um corpo que o esmaga.
Então, é assim que me sinto ao perceber que terei que abrir a porta de casa no próximo dia, ainda bem que a faculdade é à noite, assim facilita, é no escuro, e a noite é mais tranquila, isso ajuda. mas pelo dia. Os animais na floresta são sortudos, tirando a parte dos caçadores e da cadeia alimentar, mas queria ser o gavião, está no topo(quando um humano não o acerta), mas vive mais isolado, e estou cercado de humanos, então...
Sou tão nerd, tão inteligente, mas sou tão desastrado, vivo em outra "realidade", as motivações são distintas das outras pessoas, os modos, as manias, os pensamentos, a frequência, o jeito de andar, de falar, de interagir.
"Viver, e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar / E a beleza de ser um eterno aprendiz / Eu sei que a vida devia ser bem melhor (e será?)..."
Não gosto de pessoas que certificam o futuro, ninguém esteve, não dá para confirmar, a probabilidade é de:
"Ainda é cedo amor / Mal começastes a conhecer a vida / Já anuncias a hora da partida / Sem saber o rumo que irás tomar [...] Ouças-me bem amor / Preste atenção / O mundo é um moinho / Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos/ [...] Abismo que cavastes com teus pés."
Procrastinação é minha palavra e Paradoxo minha segunda, estas me arrastam, e:
"Meu partido, é um coração partido / E as ilusões estão todas perdidas / Os meus sonhos foram todos vendidos / Tão barato que eu nem acredito/ [...] Eu vou pagar a conta do analista / Pra nunca mais saber quem eu sou."
Não é novidade que uso o blog apenas para expor os problemas da minha vida, há tanta coisa boa e alegre, talvez não tanta (estou exagerando), mas enfim...
Durante este semestre (que já está no fim) as pessoas que sentam-se próximas de mim costumavam ser boas, sempre foram gentis, me incluíam, compravam coisas para mim, tipo lanches, mesmo eu rejeitando, mas faziam questão que eu aceitasse.
Uma professora falou sobre a prova que seria em dupla, quando ela concluiu a frase (assim que fechou a boca) metade da sala olhou para mim querendo fazer comigo, eu sou aquele nerd quieto que sempre responde as perguntas sobre livros, me destaco na disciplina dela... Putzz! E agora?! Se eu escolher uma pessoa, a outra ficará chateada. Neste semestre me aproximei de uma garota (*Milly), ela e eu nos damos bem, ela é gentil e muito educada. Escolhi fazer com Milly, foi a primeira pessoa a me chamar e também por eu ter uma quedinha por ela, não nego, mas sou livre para escolher quem eu quiser.
O problema é que, há muita gente precisando de nota, queriam fazer com o nerd (mi persona), quando souberam ou quando falei que iria fazer com Milly, começaram a agir estranhamente comigo, se afastaram, não gostaram. Interessante, não é gentileza fazer algo gentil para alguém esperando algo em troca, isso é no mínimo manipulação. Me falaram que sou ingênuo por fazer com ela, mas não sou obrigado a escolher fazer com quem quer me usar para tirar notas altas e se recuperar, e se não conseguirem a culpa será minha, não lido bem com responsabilidades assim. Não estudaram e querem se escorar em mim, nem sei se farei uma boa prova, mas estou estudando.
Essas pessoas se afastaram, já me olham diferente na sala e nos corredores. Ainda bem que não dependo de opinião alheia ou de amizades para a autoestima, me incluam ou excluam, não fará diferença no meu Eu (ideal-de-eu freudiano) interior e exterior.
Essa é umas razões pelas quais vivo distante, sou muito analítico socialmente, não deixo que se aproximem facilmente, evito criar vínculos, isso ajuda a evitar decepções, ajudou.
Entretanto, isso é algo que se repete desde que eu era criança, se aproximam de mim apenas desejando coisas em troca. Isso é foda! Porém, não sou exatamente o mesmo *W, não sou tão trouxa. A propósito, não estou fazendo a dupla com ela apenas esperando algo em troca (ficar com ela), até porque foi ela quem me chamou e não o contrário, eu iria fazer com outra pessoa, (que não havia ido no dia). E não vou utilizar isso por intermédio para tentar algo com ela, bem antes disso já pretendo conversar com ela abertamente.
A pior dor não é a da perda, o que dói não é a morte.
We were running somewhere in the dark Thought the youth will last forever You're the one will always in my heart There is nothing could be better We could speak without any words You would hear that I was breathing And we thought that there is nothing worse To lose the faith and don't believe in But now the feelings gone We don't know why that it's hard to be together \n Oh how we wasted love I spent the years and tried to forget it I spent the years and tried to forget it I spent the years and tried to I spent the years and tried to forget it But I can't
A pior dor é a de nunca ter se encontrado, o que dói é a vida.
Há mais ou menos um ano, com influências mais anteriores, venho sendo mais racional e resiliente. Diminuir meus níveis de sensibilidades e de empatia que eram altos, me tornei mais lógico. O problema é que, mesmo sabendo que deve haver um equilíbrio sobre Razão e Emoção, e de procurar, atualmente, mais sensibilidade, ainda assim, prefiro a vida lógica e racional.
Não por querer, mas por espontaneidade, é do inconsciente eu não procurar sentimentos, me sinto sem "Eu", sou só um ser humano androide, sem personalidade, gostos, prazeres, estou "morto", mas há o corpo ainda como objeto.
Arrow(5ª temporada)
E ando acompanhado de tantas paranoias, muitas vezes as pessoas não sentam ao meu lado nos transportes públicos, não respondem nas redes, me ignoram, é como se eu fosse um ET, uma pessoa louca, com problemas psicológicos que todos querem tomar distância, mas às vezes há pessoas boas que me incluem. Mas não ligo para quem gosta ou não, toco o famoso FODA-SE. É como se as pessoas fossem boas comigo só por condescendência ou por quererem algo em troca.
Ando tão sem um "eu", o que é um Eu? Uma das várias possibilidades de se existir? Um alguém ficcional, sendo que você também pode optar por ser outra pessoa, ou tipo... Eu preciso de um Eu para viver? Posso viver sendo vários Eus? Posso escolher optar por quais utilizarei? Um ser fragmentado? (Filme: Fragmentado - 2016).
Andando na rua, é como se eu não sentisse mais as pernas, havia superado isso, mas voltou. Não consigo diferenciar o que é real do que não, mas vou seguindo as pistas da existência, assim facilita e consigo me situar no mundo, mesmo me sentindo "fora" como um ser que está e não está ao mesmo tempo. Um ser fantasmagórico. Às vezes acho que morri, mas sei que não, porém, talvez, já deveria ter morrido, teria evitado tantas coisas.
Só estou vivo por conta da minha família, só isso, mas por mim, nem ligo. Vou foder a minha vida até não sobrar nada, vou arrumar um emprego, ter vida independente e foder toda essa existência, e ninguém, ninguém vai me criticar ou meter o dedo na minha vida, ela é minha e eu farei o que eu quiser, o que EEEEUU quiser.
Desde que eu nasci que não me encaixo, não que eu sinta necessidade, aprendi a focar mais na minha existência, nas minhas coisas. O que me fez fechar-me ainda mais para o mundo externo. Meio que estou preso em mim (risos) => everybody is stuck.
Nasci sem saber socializar, até hoje tenho dificuldades de interação, não sei interpretar ou reagir em boa parte das transitoriedades que me circundam. É comum eu passar despercebido, coisas que as outras pessoas notam socialmente, já eu estou perdido nos meus pensamentos e nem saco as coisas ao redor. Sim, Adele, sou um Daydreamer! (Risos).
Minha família não compreende, me veem sozinho, sem amigos nem interações sociais, mas eu não tenho culpa de ter nascido assim. Eu sei que é preocupação de família, mas esse é o meu mundo, vagando sozinho. Me fechei para as paixões, até sinto vez ou outra algum amor por alguma alma que vaga por mim, mas sigo em frente, everybody hurts, R.E.M. => but not me.
"Just relax
Time will pass
When you let it go
Sifting through your sorrows
Won't you get anywhere
I don't want to let a moment pass
RUNNING CIRCLES IN MY MIND
Circles in my mind"
(No Vacation - Mind Fields "Campos Mentais")
Não sei o que acontecerá, não procuro um lugar, mas vejo todas as pessoas casando-se por aqui, não quero ficar sozinho no meio das outras pessoas. É melhor ficar sozinho estando sozinho. Assim não aparecem as ideias e o sentimento de solidão que é automático ao ver tanta gente formando família, e você, tõ peculiar ali como intruso no meio. Melhor pairar por aí!
Curtir a própria existência, comprar livros que nunca irá ler, só paginar, ler mangás o dia inteiro, comer pipoca na rua em um banco sozinho em uma praça dando milho aos pássaros! 😊
O que nos prende aqui? Regras, leis, moral, ética? Viver a natureza, sem prejudicar ninguém, simplesmente aproveitando o máximo, não exteriormente como Jim Morrison, que viveu seu máximo, poucos seres humanos atingiram a própria essência como ele, porém exagerou demais.
Os "politicamente corretos demais", geralmente, estragam o mundo e a vivência, devemos fazer o que bem entendemos, ir acampar à noite sozinho ou em grupo, fazer uma fogueira e brincar como nossos ancestrais em rituais em volta da fogueira.
"Asfixia
Os animais não se arrependem
Expostas pelas minhas necessidades egoístas
Eu sufoco
Estou desperdiçando meus dias como desperdicei minhas noites
E desperdicei minha juventude
Você está esperando por algo você tem esperado em vão
Porque não há nada para você, asfixia"
Cada pessoa deve ser livre para fazer o que quiser, desde que respeite o espaço das outras pessoas, se quisermos nos acabar em algo, devemos fazer com gozo, zelo, sem culpa e sem arrependimentos, se quisermos morrer, também devemos ser livres para decidir nosso próprio destino, isso é liberdade, ninguém deve ser obrigado a viver em um inferno só por causa dos outros.
Não devemos pedir desculpa por sermos quem(o que) somos, nossa loucura, nossa sanidade. Só nós sabemos o que se passa cá dentro!
Referências: Into The Wild, Walden (A Vida Nos Bosques), Existencialismo de Sartre "o homem está condenado a ser livre", Niilismo, Ultrarromantismo XIX (Segunda Geração) > Lord Byron e Goethe.
Não importa a quantidade de amigos, as qualidades deles(as), quantas partes de grupos que achei que levaria a vida inteira, sabe? Gente fazendo parte da minha vida, aquela inocência de achar que as amizades, as brincadeiras, a própria estabilidade, virar adulto e realizar seus sonhos, conquistar seu espaço ness(t)e mundo, ser só mais um nome em uma lápide.
"Se me perco, por favor, não me encontre/
Se eu me afogar, deixe-me afundar"
Mas aí chega as responsabilidades, quanto mais tenta, mais se decepciona, não há mais ninguém lá, você está só, todos se distanciaram, você acaba sendo uma pessoa "deixada", e com seus transtornos sozinha, a cabeça dói imensuravelmente, o vento vazio e dolorido a roçar a pele. Só restando a solidão e as lágrimas. Ninguém gosta de você, e só resta viver uma vida fracassada, de sonhos destruídos por você e por essa sociedade esdruxula, é um vazio e solidão que liberta e ao mesmo tempo lhe soca em todos os músculos, até socar também a alma, e você não pode fazer nada, não há ninguém para lhe defender e nem você pode se defender por si.
É uma briga eterna e diária, você só perde, nem empata nem ganha. É viver morrendo diariamente até... Só restar uma lápide vazia, ninguém visita, ninguém se quer deixa flores, nada cresce no seu túmulo. A vida não é um palco, é o pós-vida em toda vida até não haver mais após, nem vida.
"Viver sozinho vicia. Chega uma hora que gente incomoda. Dá uma espécie de gastura, e é essa gastura o primeiro passo para a solidão. É claro, só gosta de solidão quem nasceu pra ser solitário. Só o solitário gosta de solidão. Quem vive só e não gosta de solidão não é um solitário, é só um desacompanhado.
(Elizabethtown, Orlando Bloom e Kirsten Dunst)
Solidão é vocação, besta de quem pensa que é sina. Por isso, tem que ser valorizada. E não é qualquer um que pode ser solitário não. É preciso ter competência pra isso. Pra viver bem com a solidão temos de ser proprietários dela e não inquilinos. Quem é inquilino da solidão, não passa de um abandonado. Não é que eu não goste de gente, eu não suporto é ser usuário, o que é bem diferente. Minha solidão tem um nome: renúncia. Eu renunciei ao gênero humano. É simples e só. Perdi a crença nas pessoas. O certo é que eu sou um descreste de gente, só isso. Tirei as pessoas da minha vida, como tirei o açúcar de minha diabete. Minha solidão é medicinal."
Sempre quando penso no vazio, tanto no meu próprio quanto no das outras pessoas e até nas idealizações de ser uma pessoa vazia. Nessa hora a nossa mente começa a listar infinitamente coisas negativas e ruins. Porém, acho que uma pessoa vazia tem um dom, você já parou para conversar com alguém assim?
A pessoa não tem amigos, nem família nem um amor para dá um presente ou um abraço. Não, a pessoa vazia é solitária, ninguém quer estar perto, só usam e depois esquecem e nem cumprimentam na rua. E aí a sua mente com TOC imagina Leatherface cortando as pessoas na rua.
A pessoa vazia não tem agenda, não tem nada marcado, com quem? O que?
Mas alguém desse jeito, ainda assim, é a melhor pessoa do mundo, já parou para pensar? Não, você só pensa em você e nas convenções sociais que ditam o que é certo e errado, e você ainda acredita!
Enfim, pessoas vazias, por não terem nada nem serem nada, são as melhores, elas não têm ninguém esperando, logo, lhe darão atenção, ouvidos, serão seu ombro-amigo, pois não há o que perder, elas estarão lá para quando precisarem, pois não estão ocupadas, já que não têm nada. Estas serão aquelas pessoas que terminarão o trabalho mais rápido e bem feito, pois não tinham com o que se distraírem, são aquelas que devoram livros e séries rapidamente, estão em casa no final de semana inteiro, estão sozinhas em um banco na praça ou caminhando na praia.
Não que elas sejam vazias, apenas não têm ninguém, então sentem-se assim, mesmo com o monólogo interior debatendo as ideias numa dialética rebuscada, a pessoa se sente vazia mesmo tendo a mente bem barulhenta e inquieta, não é o vazio sonoro, é o vazio presencial, a pessoal é peculiar demais para não se encaixar em grupos, e, levando em consideração, o nosso tempo, o egoísmo lá em cima e a violência, o culto capitalista pelo lucro, posse e exibição, não somos mais tão humanos, as pessoas vazias são, elas sentem e sabem, por isso hesitam tanto, mas acabam sendo a melhor pessoa para se ter uma conversa profunda, sobre história, mitologias, filosofia, artes, música, ciência, tecnologia, ficção, livros e tantas outras coisas, pois ela tem tempo e alma para essas coisas, já que são presencialmente vazias, mas são ricas em conhecimento. Darão o afago mais valoroso, o olhar mais verdadeiro, o abraço mais quente, o elogio mais voluptuoso e o sorriso tímido mais encantador. Podem confiar segredos a ela, pois não há a quem revelar, e ainda ela sentirá aceita. E os sofrimentos que passou, tanto a educou como ela trata muito bem as outras pessoas para que estas não sofram o quanto elas sofreram(sofrem).
Os olhos são lindos quando se tiram os óculos para vê-los mais de perto e profundamente. Pessoas vazias são cheias, têm um universo só seu.
Essa canção é, certamente, o meu hino do aconchego(risos), do cansaço da semana, dos tocos que levo da vida, da carência eterna, é a minha companheira das solidões, das madrugadas. A voz de Ana é algo que me faz sentir melhor, me acalma, mesmo quando conheci essa música, estava aos prantos, e a voz dela me fez cafuné.
No clipe ela está solitária em uma sala, rodopiando sozinha, se deitando no chão olhando o vazio e pensando no infinito, me identifico ao máximo.
Nos meus dias de tormenta, quando chove lá fora e aqui dentro, me recolho no meu canto, no escuro do meu quarto no chão gélido, ouço essa música e me perco, sou muito sensitivo, então, sinto a minha aura, os cantos recônditos da mente, entro em contato com meu Eu interior. E isso me preenche.
"Procuro a solidão
Como ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Com a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma, pra contar nos dedos
Beijo, pra ficar aqui
Teto para desabar
Você, para construir
Dundarundê aunde iê"
(Ana Cañas)
E o teto desabando, são as minhas crises, meus medos, meu mundo e o mundo, ambos se desintegrando sobre mim, desabando, eu encaro meu mundo aberto, "sem paliativos" - Letícia Sabatella, não me escondo da minha personalidade, sou tanto os momentos de Euforia quanto os de Baixa, eu os vivo! Isso me eleva em autoconhecimento ciclicamente.
Sou solitário, mas tenho a mim, não tenho amigos, meu cachorro, Lepi, partiu recentemente, sou distante da minha família por ser diferente, minhas amizades são as coisas que reúno na existência, livros, múcicas, filmes etc, e que, quando preciso, estão lá para me acolher mais uma vez.
E por fim, quem sabe encontrar alguém para construir quando meu teto desabar e que me permita o mesmo.
Chega um tempo em que tudo sufoca, e você percebe no final do ano ouvindo aquela canção natalina "então é natal, e o que você fez? O ano termina e nasce outra vez", arghh, parece um vômito musicado.
Durante muito tempo tive muitos amigos, apesar de ser uma pessoa muito quieta, as pessoas se sentem bem ao meu redor, alguém que elas podem confiar, até mesmo eu duvidando disso, já vi amigo chorar no meu ombro contando que a namorada tinha terminado, já aturei amigo bêbado divorciado, eu sempre lá, ajudando, dando conselhos, várias garotas já me usaram como ombro amigo, aquela pessoa que está sempre lá para os "ditos" amigos, não por obrigação, mas por ser uma pessoa boa, que gosta de agradar, de ouvir os problemas das outras pessoas, não é à toa que sou(na verdade, era) o psicólogo dos amigos e conhecidos e até de desconhecidos, aparece gente que não me conhece, até bem mais velha que eu pedindo alguém, alguma companhia.
E todas essas pessoas, sem exceção, se foram rapidamente ou com mais tempo, não importa o vínculo criado, mas foram, só me usaram, só se lembram de mim quando precisam. Eu cansei disso, não sobrou ninguém, nenhuma pessoa, e quando elas vêm novamente me contar seus problemas, eu não me importo mais, me distanciei das pessoas, vivo minha vida solitariamente cheia de livros, games, animes, HQs e Netflix. As pessoas com quem mais converso são aquelas dos caixas, para compras, contas e afins. Não estou mais lá para ouvi-las, me sinto usado, abusado, decidi me valorizar, equilibrar.
A ingratidão dos seres humanos é tão grande, imensa, que ao virem até mim, ainda me tacham de frio, distante, fechado. É a mesma coisa que acusar um inocente baleado à queima-roupa de ter levado o tiro, mas não vivemos na Matrix, tampouco somos escolhidos, ou os escolhidos, como dizem livretos dos contos da carochinha, bando de babacas!
Assim como na guerra existe o fogo-amigo, que é quando o soldado atira em seus próprios companheiros, defino como gelo-amigo essa condição de "amizade", dizem que, assim sendo, somos pessoas frias e/ou antissociais, mas na verdade somos as mais quentes, no fundo, como um vulcão adormecido, elas que são pessoas frias com corações de gelo, nos trataram como seres postiços, mas ser assim meio ingênuo e bonzinho, meu verdadeiro eu, sempre de prontidão para ajudar. Evitar ter contatos por isso, para ajudar, mesmo sozinho, sem esperar agradecimentos e sem querer ter amigos novamente, e se for o caso, ser bom e ajudar só por si, apenas, para se sentir bem, mas não permitir que pisem na nossa calçada pedindo abrigo em um dia de chuva para depois sumir na primeira trégua que a tempestade dá.
Aquele momento fatídico da madrugada que vem as deprês, os lamentos, as saudades, as nostalgias tudo de uma vez em um uma torrente, e você abre a geladeira e não tem uma gota de álcool, nada de útil para acompanhar umas músicas melancólicas de Adriana Calcanhotto.
O único jeito é desligar tudo, pegar um caderno, um lápis, uma vela e um copo de café com leite, sentar-se em um chão frio recostado na parede e ver se sai alguma coisa ou se ficará apenas rabiscando sentado até sabe-se lá que horas, ou até mesmo não fazendo absolutamente nada, só admirando a pequena chama e pensando ou tentando fugir dos pensamentos.
Várias indecisões que se alteram, e a cada segundo, a cada troca de pensamento são como cortes pungidos com lâminas nostálgicas em nossa alma, sentir tudo e nada ao mesmo tempo. Só "aproveitando" no seu cantinho solitário a vida que tem, sem mais nem menos, só a própria existência pura do jeito que ela é, e, às vezes, lágrimas lhe acompanhando.
E tudo parece desabar em nós, como se só
não caímos por causa do chão, que nos mantém e nos segura, enquanto nossos
problemas e o peso de existir nos esmaga para baixo, mas o chão nos segura e
acabamos sendo exprimidos, só esperar que no outro dia acordemos fingindo que
nada aconteceu ou que a multipolaridade faça-nos acordar bem, ainda que
temporariamente. Esperando ou não se importando com o tempo quando tudo cairá
em cima novamente nos tornando seres pesados e, talvez, mais sozinhos.